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sábado, 29 de dezembro de 2018

Nova ponte de acesso à ilha de Faro – relançado o concurso

Boa notícia! Espera-se que o projeto avance.
Até que esteja concluído é sempre possível usar os períodos de engarrafamento de trânsito na velhinha ponte para observar a fauna e a flora da ria, particularmente durante a maré vazante… Momentos muito interessantes e educativos, particularmente se tiverem uns binóculos à mão. Experimentem! Quem já o fez recomenda…



domingo, 3 de junho de 2018

Bruno de Carvalho - o que o move?

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Ouve-se e lê-se por toda a parte que a atuação do Conselho Diretivo do Sporting, e em particular a do seu presidente Bruno de Carvalho (BC), não segue nesta altura, a diversos níveis, as regras básicas de gestão ensinadas nas escolas e praticadas em qualquer organização congénere.
Reconhecendo a maioria dos analistas que a situação financeira e patrimonial da SAD e do Clube leoninos correm sérios riscos com a situação criada nas últimas semanas/meses, o que motivará esta atuação, aparentemente incompreensível, do órgão diretivo e do seu presidente?
A teoria apresentada por BC de que o que o move é a defesa do trabalho realizado e a permanência numa linha de gestão que entende ser a que melhor defende os interesses da SAD e do Clube, parecem, nesta altura, não ter qualquer correspondência com a realidade.
Perante estes factos, não será admissível colocar a hipótese de BC e seus pares estarem interessados em criar um clima de caos social no universo leonino, visando esconder dos sócios, dos adeptos e do público em geral resultados menos conseguidos durante a sua administração? Para os visados, e é bom lembrar que alguns tem provas dadas a nível de gestão na sua vida profissional, se o Clube e a SAD se afundarem será sempre mais fácil repartir as culpas com uma situação de caos instalado do que as assumir por completo…

sexta-feira, 6 de abril de 2018

Lula da Silva

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Lula da Silva (hiperligação - clique) é uma figura incontornável da politica e da sociedade brasileira, que já tem um lugar reservado na história do país. Neste momento, talvez seja conveniente que tenha o discernimento necessário para saber sair de cena sem por em causa o lugar que conquistou na memória coletiva do povo brasileiro, assumindo com humildade, e por inteiro, todas as dimensões da intervenção pública, que terá tido um conjunto muito significativo de coisas boas e outras menos positivas, ou não fosse ele humano.

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

Fundação Gulbenkien procura trocar negócio do petróleo por outros com matriz energética mais sustentável.


A ter um desfecho positivo, esta decisão estratégica da Fundação Calouste Gulbenkien constituiu um exemplo de referência para o mundo empresarial e para a sociedade em geral.
Num tempo histórico em que se procura a todo o custo alcançar o lucro, tantas vezes sem olhar a meios e à custa do consumo desmesurado de recursos naturais, com danos irreparáveis para a natureza e pondo em risco a sustentabilidade do planeta, uma decisão como a que se perspetiva, tomada por uma Instituição, que tem tido, ao longo dos seus 61 anos de existência, um papel fundamental no desenvolvimento social, cultural, científico e educacional de Portugal e de outras partes do mundo onde leva a cabo a sua missão estatutária, revela a sua intenção de acompanhar a evolução dos tempos, continuando a ser, em cada tempo, agente ativo na promoção do desenvolvimento e bem-estar social da humanidade.
Nesta época em particular, em que a sobrevivência do planeta, tal como o conhecemos, se encontra seriamente ameaçada, esta decisão da Gulbenkian de procurar substituir as suas fontes tradicionais de rendimentos por outras provenientes de atividades ligadas ao mesmo setor, mas com matrizes mais sustentáveis, para além de se mostrar adequada em termos ambientais, pode também ter um efeito pedagógico e funcionar como marco de referencia para outros agentes económicos estimulando-os a prosseguir a mesma senda no desenvolvimento das suas atividades.
A Fundação Calouste Gulbenkien, que é uma instituição sem fins lucrativos, que foi criada com os bens legados pelo mecenas arménio que lhe dá o nome, em jeito de agradecimento a Portugal pelo acolhimento que aqui lhe foi proporcionado a quando da segunda guerra mundial, regeu-se ao longo da sua existência por critérios de grande independência na sua atuação. Nunca permitiu que outras entidades se imiscuíssem na sua gestão e na programação das suas linhas estratégicas e sempre soube desempenhar com distinção um papel de agente impulsionador de desenvolvimento, inovação e modernidade. Para bem da Humanidade, espera-se que seja bem-sucedida neste novo desafio a que se propõe, para que se lhe continue a aplicar com propriedade a velha a máxima de que “a Gulbenkien anda sempre á frente do tempo”!

sábado, 27 de janeiro de 2018

Marcelo Rebelo de Sousa: retrato com legenda de dois anos de mandato


No que leva do mandato, Marcelo Rebelo de Sousa foi elevado ao estatuto de monarca numa república constitucional e viu-se transformado no ombro amigo onde a nação pode reclinar a cabeça.

Marcelo Rebelo de Sousa: dois anos de mandato em jeito de opinião


Passaram dois anos sobre a tomada de posse do Chefe de Estado, Marcelo Rebelo de Sousa. O magistério do atual presidente da República tem sido marcado pelas suas caraterísticas de personalidade e influenciado pelas circunstâncias do tempo em que é exercido.
Marcelo é um homem ativo, metódico, calculista e muito inteligente. É católico convicto, profundo conhecedor dos princípios da doutrina social da Igreja e teve uma vida de décadas ligada ao ensino e á comunicação, a diversos níveis. Este caldo de caraterísticas de personalidade e experiência de vida concorreram para que Marcelo concebesse o exercício do magistério presidencial traduzido numa política de proximidade, de atenção aos mais vulneráveis, de pedagogia para causas, de afetos, mas também de intervenção e não apenas de mera influência. Esta derradeira caraterística idealizada por Marcelo para o exercício do cargo presidencial, era aquela que parecia ser de mais difícil concretização, porque, como se sabe, Portugal é uma república constitucional, semipresidencialista, em que os poderes executivos do Chefe do Estado, particularmente nesta Terceira República, estão bastante circunscritos.
Mas as circunstâncias políticas e sociais do momento em que Marcelo foi eleito encarregaram-se de lhe proporcionar, até agora, um exercício do mandato em moldes que vão para além dos por si concebidos.
De facto, em termos políticos, Rebelo de Sousa apresentou-se na corrida presidencial sob a capa de uma suposta independência e conseguiu ser eleito à primeira volta com números que ultrapassavam em muito, naquela altura, o eleitorado da sua área política e ideológica, ficando dessa forma numa posição confortável para o exercício do cargo, refém apenas das suas convicções, como pretendia.
A este nível tudo lhe correu de feição. Recebeu do seu antecessor, já resolvido, o difícil dossier da nomeação de um Governo com apoio parlamentar, mas liderado por um partido político que não ganhou as eleições legislativas. Passou a relacionar-se com um Primeiro-Ministro, seu antigo aluno, que apesar de não ser do seu espaço político, procurou nele apoio institucional e político para reforçar a sua legitimidade. Conviveu com um líder da oposição atordoado, que nunca se refez da armadilha parlamentar que o obrigou a retirar-se da chefia do Governo, e que não teve condições para reclamar dele mais do que a solidariedade institucional, apesar de pertencerem ambos ao mesmo partido político.
Em termos sociais, Marcelo recebeu em mãos um país com sinais de recuperação económica, mas dilacerado pelas medidas de austeridade. Depara-se com uma sociedade que anseia por uma figura protetora, por alguém que seja capaz de a ouvir e de lhe dar consolo e motivação. O Presidente encarnou na perfeição esse papel e de forma genuína foi ao encontro de pessoas, de empresas, de instituições, e entrou, sem esforço nem sobranceria, no seu quotidiano e transformou-se numa figura transversalmente consensual na sociedade portuguesa.
Entretanto, para compor o leque de condições favoráveis, deu-se a inversão do ciclo económico à escala mundial e Portugal começou a beneficiar do crescimento e do dinamismo das economias com quem se relaciona. Em paralelo, um conjunto de condições geopolíticas transformou Portugal num destino de oportunidade a nível internacional e o setor do turismo tornou-se fundamental no contexto da recuperação económica do país. País onde agora cresce a riqueza produzida, o emprego e o rendimento disponível. Onde se verifica o aumento das exportações, o reequilíbrio da balança comercial e a redução do défice e da dívida pública.
Este enquadramento politico e social tornou-se, nestes dois anos, chão fértil para Marcelo Rebelo de Sousa semear os seus planos pré-concebidos quanto ao exercício do magistério presidencial. Sem oposição política e com aprovação social generalizada, ratificada pelos elevados índices de popularidade, viu-se investido, em vários momentos, no papel de um presidente com poderes executivos, ainda que formalmente os não detenha. 
O Professor de Direito Constitucional, transformou a figura presidencial num agente político interventivo, que marca a agenda, que é próximo, que é afetuoso, que é pedagógico e que exerce uma influencia reclamada por muitos e consentida por todos.
Um resultado que supera as expectativas dos mais otimistas, e até talvez do próprio, e que faz dele, até ao momento, o Chefe de Estado mais consensual da democracia portuguesa.
Quanto ao futuro, o futuro dirá…, mas, até à data, o balanço é positivo, generosamente positivo!

sábado, 20 de janeiro de 2018

Donald Trump completa um ano de mandato


Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, tomou posse há um ano. Qualquer balanço que se faça deste seu primeiro ano de mandato não pode fugir ás evidências, e tenderá sempre a classifica-lo como fraco, comprometedor e mesmo desastroso em alguns aspetos.
Em termos internacionais a administração Trump seguiu uma politica de isolacionismo e confrontação com quase todo o mundo. Já durante a campanha, o ainda candidato, tinha prometido rasgar acordos comerciais, subir taxas aduaneiras e até construir um muro na fronteira que divide o México com os EUA, numa intenção de pôr em prática uma politica claramente isolacionista. Porém ninguém estava à espera que as posições da presidência republicana de Donald Trump fossem tão longe neste primeiro ano de mandato. Se é certo que a construção do muro ainda não avançou, talvez porque para além de ser uma ideia absurda, tem um custo económico que nem o seu autor estimou, a política de Washington pôs em sobressalto vários aspetos da política internacional. Em acontecimentos como a cimeira da NATO ou a reunião do G7, ao arrepio das mais elementares regras diplomáticas, Trump assumiu uma posição arrogante, enunciou as suas ideias, algumas das quais em clara contradição com as posições tradicionais dos Estados Unidos e furtou-se ao diálogo com os seus parceiros estratégicos. A politica de isolamento prosseguiu com a decisão dramática à escala global de retirar o país do Acordo de Paris sobre alterações climáticas, com clara oposição da sociedade americana, e com a ameaça de rompimento do acordo nuclear com o Irão, sem motivo validado pelas agências internacionais que fiscalizam o cumprimento do mesmo por parte daquele país do médio oriente.  E mais recentemente, a decisão precipitada de mudar a embaixada americana em Israel de Telavive para Jerusalém, uma resolução contestada pelos países árabes da região e por grande parte da comunidade internacional. E finalmente os comentários xenófobos de Trump (hiperligação clique) em relação a El Salvador, ao Haiti e alguns países africanos, a propósito das politicas de emigração americanas, que foram alvo da condenação oficial do Departamento de Direitos Humanos das Nações Unidas.
Na frente interna o desempenho da Administração Trump não tem sido mais pacifico, bem pelo contrário. Começa com uma relação conflituosa com a generalidade dos meios de comunicação social, que se têm constituído nesta fase como um autêntico contrapoder, e prossegue com a implementação de medidas impopulares para remover as da anterior a administração, particularmente o Obamacare e outras de natureza social de apoio ás classes mais desfavorecidas. Se a estas adiconarmos umas quantas decisões de carater económico, claramente retrógradas em termos ambientais, que têm merecido a contestação pública, e uma onda de suspeições a propósito do seu comportamento pessoal e político, bem como de membros destacados da sua administração, desemboca-se num resultado factual: Donald Trump é o presidente menos popular dos Estados Unidos da América nos últimos setenta anos.
Neste primeiro ano de mandato o único aspeto que correu verdadeiramente de feição à administração Trump foi o desempenho da economia onde se verificou um crescimento de cerca 3%. Mas perante o restante enquadramento  será esta circunstancia suficiente para equilibrar os pratos da balança?
Aquando da campanha para as eleições norte americanas tive oportunidade de referir que Hillary Clinton não me parecia ser a melhor candidata democrata para derrotar Trump, nem provavelmente ser a presidente que os Estados Unidos necessitavam para substituir Barac Obama, ainda assim, apelei ao respeito pelas regras democráticas que permitiram a eleição de Donald Trump e pedi que lhe fossem dadas condições para o exercício do mandato, para que no final do mesmo pudesse ser julgado segundo as regras da democracia como qualquer outro eleito democraticamente. Pensava assim porque entendia que passado processo eleitoral a postura de Donald Trump se converteria na de um estadista, ainda que com fato á sua medida, porque a isso o obrigariam as regras do exercício do cargo e o protocolo institucional da Casa Branca e do Pentágono.  Passado um ano, o que mais me preocupa em todo este processo é a falta de maturidade politica e de responsabilidade cívica, e por vezes até ética, que o presidente americano revela. A maior nação do mundo nunca poderá ser governada da mesma forma que se gere um grande grupo empresarial, por maior e mais bem-sucedido que ele seja. Na gestão empresarial, ainda que a contragosto, pode ter que se conviver com excentricidades comportamentais de gestores de topo ou de detentores de capital, mesmo sendo essas práticas questionáveis socialmente, porque se está no domínio da vida privada, mas quando se sobe ao patamar da causa pública a bitola da moral e dos princípios elevam-se a níveis máximos e há comportamentos e práticas que não admissíveis a este nível.
Se Donald Trump demorar muito mais tempo a assimilar estes princípios, ou se se recusar assumi-los como seus, os Estados Unidos, em primeira linha, e o resto de mundo por arrastamento, podem ser confrontados com um balanço bem pior do que o de quatro anos perdidos.

domingo, 29 de maio de 2016

A falta de água



Com maior frequência vai-se falando neste assunto, mas, na minha opinião, ainda não se lhe dá a importância que a urgência da sua abordagem justifica.


(in greensavers.sapo.pt)

A gestão da água deve ser estudada e discutida á escala local, nacional e global e o tratamento deste assunto deve ser mantido na esfera pública. Não me parece que a mercantilização da gestão da água possa contribuir de forma genuína para a resolução do problema.

sábado, 2 de maio de 2015

Greve dos pilotos da TAP e Portugália – 2º dia

O lobo nem sempre consegue vestir a pele do cordeiro e quando o faz nem sempre o fato lhe assenta bem. Neste caso, desde cedo se percebeu que o fato não lhe cobria todos os rabos (DN).
A postura arrogante dos responsáveis do Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil está a resultar num aparente fracasso que para além de denegrir a imagem de uma classe pode constituir um rude golpe na credibilidade de todo o movimento sindical português, algo que me parece absolutamente indesejável. Que se salve a TAP, ainda que mal tratada.

sexta-feira, 1 de maio de 2015

Dia da caça ao consumidor

O episódio que aqui relatei aconteceu no 1.º de maio de 2012. De lá até agora, algumas das maiores cadeias de distribuição que operam em Portugal, têm aproveitado o feriado do dia do trabalhador para lançar ações de promoção das suas vendas. De forma mais ou menos declarada, e com maior ou menor agressividade, a cada ano que passa, esses agentes têm procurado acautelar as suas posições comerciais protegendo-se contra possíveis (e inesperadas) investidas da concorrência.
O presente ano de 2015 não foi exceção, bem pelo contrário. Logo pela manhã, bastava ligar a televisão e assistir a dois ou três blocos publicitários, para se perceber que, neste dia do trabalhador, mais uma vez, estava lançada a caça ao consumidor.
Faço votos para que não tarde o dia em que no 1.º de maio se volte a olhar para as pessoas mais na sua dimensão humana e social e menos na sua qualidade de consumidores.
Nessa altura, já estaremos certamente menos acossados pela crise e a nossa sociedade não estará tão exposta e vulnerável. Porém, até que esse dia chegue, não deixemos de cultivar a dignidade que nos resta, nem que para isso tenhamos que sonhar e ter saudades do futuro...

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

O Papa Bento XVI renunciou hoje ao seu ministério

Quando foi eleito para a cátedra de Pedro, em 2005, o Cardeal Joseph Ratzinger carregava um fardo, a meu ver, pesado: tinha sido durante 24 anos Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé.
Este órgão, que tem a incumbência de promover e salvaguardar a doutrina sobre a fé e a moral católica em todo o mundo, é talvez o mais importante na estrutura Cúria Romana. Mas, simultaneamente, e por força das suas atribuições, é também aquele que mais frequentemente é visado pelos críticos da Igreja, que vêm nele uma espécie de “condicionador” da liberdade dos fiéis, a quem impõe valores éticos e morais e regras doutrinais. Virá a propósito referir que até ao início do século XX a Congregação para a Doutrina da Fé era conhecida como o Tribunal da Santa Inquisição.
Ora, o exercício do cargo de Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, durante grande parte do pontificado de João Paulo II - um dos Papas mais carismáticos de sempre - investiu Ratzinger no papel de uma personagem extremamente conservadora, tendo sido muitas vezes apontado aos olhos da opinião pública como o responsável pela falta de adaptação da doutrina da Igreja aos tempos modernos.
Porventura, por causa desta condicionante, quando a 19 de Abril de 2005 o Cardeal Joseph Ratzinger foi eleito Papa, fiquei algo expectante quanto ao exercício do seu ministério. Também eu fui muito marcado pelo pontificado avassalador de João Paulo II e em muitos momentos fiquei com a sensação de que Papa polaco teria ido mais além em questões fraturantes para sociedade contemporânea, não fossem as imposições emanadas pela Congregação para a Doutrina da Fé, de que era responsável o Cardeal alemão.
E os meus receios não se desvaneceram nos primeiros tempos do seu pontificado altura em que Bento XVI promoveu a recuperação de alguns símbolos tradicionais da indumentária pontifícia, como por exemplo, o uso de sapatos vermelhos... Esta e outras práticas, confesso-o, afiguraram-se-me a uma espécie de tentativa de restauração de uma certa "aristocracia papal" que achava desadequada para o nosso tempo.
Mas com o passar dos meses, e dos anos, a minha opinião acerca deste Papa foi-se clarificando e fui descobrindo nele um número crescente de qualidades que me levaram a respeita-lo e a admirar cada vez mais a sua personalidade.
Homem estudioso, muito inteligente e extremamente culto, Ratzinger é dado a uma timidez muitas vezes encontrada em personalidades com estas características, mas longo do tempo foi transformando a sua forma de estar em público, adequando-a às suas funções de Sumo Pontífice. Uma transformação deste género é sempre merecedora de relevo, mas, na minha opinião, a de Bento XVI, merece ainda mais destaque dado que se operou, e de uma forma particularmente notória, num homem de idade já avançada.
De resto, o pontificado de Joseph Ratzinger, não foi fácil, sendo pontuado por momentos de grande intensidade e polémica, de que será exemplo mais significativo, a denúncia de casos de pedofilia em larga escala no seio da Igreja Católica. E foi nestes momentos, e noutros, em que por exemplo assumiu publicamente erros históricos da Igreja, que Bento XVI se revelou um homem determinado e um líder particularmente incisivo, que procurou demonstrar a todos quantos o rodeiam que a resolução dos problemas começa pela aceitação da sua existência, sem ambiguidades e passa pelo seu tratamento de forma séria nas suas diversas vertentes, sejam elas religiosas, jurídicas, económicas, políticas, etc.
Em termos doutrinais/intelectuais, Bento XVI lega à Igreja e aos crentes em particular, um pontificado marcado por um pensamento focalizado particularmente no tema da fé. Seja sob a forma escrita, editada e publicada, seja através das intervenções que foi proferindo ao longo dos últimos oito anos, o Santo Padre, teorizou profundamente sobre a forma de entender a fé à luz da razão. Sobre a forma como cada ser humano pode livremente descobrir a verdade da fé se se predispuser a percorrer o caminho que leva à verdade, alimentado pela fé.
Em termos pastorais, do pontificado de Bento XVI ficam as suas viagens apostólicas, realizadas algumas delas em circunstâncias muito difíceis, e os seus encontros com personalidades ligadas a meios académicos, científicos, culturais e políticos, onde procurou constantemente lançar pontes para o diálogo inter-religioso, cultural e científico. 
Enfim, um pontificado relativamente curto, mas muito valoroso, que chega ao fim por vontade do próprio, num gesto sem paralelo na história recente da Igreja.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

O TGV está de volta?

O TGV Lisboa-Madrid afinal avança? Francamente... Mais uma desilusão!
Numa altura em que fala na reestruturação do sector dos transportes - identificado pelos responsáveis políticos como um dos maiores sorvedores de recursos públicos – onde se preveem reestruturações extremamente dolorosas, com extinções de postos de trabalho, redução nos serviços prestados e aumento de tarifas, voltar à carga com um projeto que, há pouco mais de um ano, foi abandonado por razões de insustentabilidade económica é uma decisão que me custa a compreender.
Este tempo que vivemos, em que (1) se sucedem as notícias de uma pertença economia de meiosEP vai cortarnos limpa-neves, iluminação e patrulhamento das estradas – em que (2) se promove o fim da exploração da linha férrea tradicional e se reduz a mínimos questionáveis o investimento na sua manutenção – veja-se o exemplo do projeto de eletrificação da linha do douro no troço Caíde-Marco de Canaveses – em que (3) se fala da necessidade qualificação/racionalização dos investimentos públicos, em que (4) se estabelece como prioridade a reindustrialização do país e em que (5) se submete os portugueses a um esfoço fiscal incomportável - o maior de que há memória - este tempo, dizia, não é o tempo para as meias verdades, ou para verdades de conveniência, é o tempo da coerência, ou da falta dela...

sábado, 12 de janeiro de 2013

Plenamente de acordo...


Nenhuma causa, nenhuma religião, deveria justificar a morte
José Ramos Horta,
Ex-presidente da República de Timor Leste.


E já agora, ao contrário do que o próprio dá a entender nesta entrevista à “Visão”, quero acreditar que Ramos Horta será um ótimo candidato a secretário-geral da ONU em 2016. Talvez o melhor de entre os possíveis candidatos de toda a Comunidade de Países de Língua Portuguesa.

A nomeação do ex-presidente timorense e Nobel da Paz em 1996, para o cargo de enviado especial do secretário-geral das Nações Unidas para a Guiné-Bissau, pode funcionar como uma boa rampa de lançamento.

Uma ideia para ser trabalhada no seio dos meios diplomáticos da CPLP.

Presidente de Câmara reformada aos 47 anos

A uns pedem sacrifícios a outros... Presidente da Câmara de Palmela vai reformar-se aos 47 anos. 
Assim não! Que a senhora em questão - e outros na mesma situação - tenham direito a uma pensão correspondente aos descontos que fizeram, parece-me pacífico. O que para mim é inadmissível é que a prestação lhe seja atribuída aos 47 anos, numa altura em que idade legal da reforma, para a grande maioria dos portugueses, caminha para os 66 anos.
Que dirá Gerónimo de Sousa, Secretário-geral do PCP, deste episódio? Que são todos iguais, pois claro! Mesmo os comunistas..

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Está decretado: o Presidente da República não pode dar a mão à palmatória

Reconhecer que se errou não é uma virtude? Tentar corrigir um erro não é uma atitude louvável? Insistir num erro não é postura reprovável?
Todos concordarão que a resposta a estas três questões é afirmativa.
Respondemos assim porque no-lo ensinaram os nossos pais quando éramos crianças, os nossos professores quando frequentávamos a escola e os nossos colegas mais experientes quando iniciamos a nossa carreira profissional.
Então se assim é, por que carga de água, permitam-me a expressão, deveria o Presidente da República insistir no mesmo erro em dois anos consecutivos?
Digo isto na sequência de comentários que ouvi a Raul Vaz, na passada sexta-feira, na Antena 1 e a Marcelo Rebelo de Sousa, ipsis verbis, este Domingo, na TVI, sobre o alegado erro que terá cometido o presidente da República, que na opinião dos dois comentadores, não deveria ter suscitado a inconstitucionalidade do corte do subsídio de férias aos pensionistas e funcionários públicos no orçamento de estado para este ano de 2013, uma vez que o não fez em relação ao orçamento para o ano de 2012.
Depreendo portanto que o Presidente deveria ter cometido o mesmo erro em dois anos seguidos, sendo que, de premeio, esse erro, foi confirmado como tal, pelo Tribunal Constitucional.
Neste Domingo também ficamos a perceber que os membros do Governo devem, por uma questão tática, ficar em silêncio; não devem proferir declarações que, de alguma forma, possam ser entendidas como pressão sobre os Juízes do Tribunal Constitucional.
Dessa tarefa encarregar-se-á o professor Marcelo...

domingo, 6 de janeiro de 2013

A opinião de Mota Amaral

Mota Amaral, deputado do PSD e antigo Presidente da Assembleia da República, escreveu um artigo de opinião no Diário dos Açores onde critica violentamente as políticas seguidas pelo governo.
O PSD através do seu vice-presidente Pedro Pinto já veio dizer que Mota Amaral fez uma declaração que não está ao nível do seu passado  e das suas responsabilidades.
Não quero qualificar as afirmações de Mota Amaral, nem a reação de Pedro Pinto, porque a envolvente económica e social o fará suficientemente, no entanto apetece-me perguntar: não foi Mota Amaral um dos deputados que aprovou o OE para 2013? Se assim foi, como pode um deputado contribuir com o seu voto para aprovação de um documento que antevê com efeitos tão nefastos (e supríveis) para aqueles que o elegeram e representa no parlamento?
Nesta democracia, que se diz representativa, há procedimentos políticos muito pouco compreensíveis à luz do senso comum. Ou melhor, compreensíveis, talvez; aceitáveis, é que não. Sobretudo para quem se rege por princípios morais exigentes.

sábado, 5 de janeiro de 2013

Segredo de Justiça

A Procuradora-geral da República, Joana Marques Vidal, avançou com uma auditoria aos processos-crime que foram alvo de violação do segredo de Justiça em investigações criminais, nos últimos dois anos. Segundo consta numa nota da Procuraduria, esta ação, que ficará a cargo de um inspetor do Ministério Público, visa não só encontrar os autores dos crimes, mas também identificar as circunstâncias em que os mesmos foram praticados, de forma a poder evitar a sua ocorrência no futuro.
A decisão parece-me acertada porque visa combater um crime praticado com frequência e que não tenho memória de alguma vez ter sido punido. Por outro lado, a realização desta auditoria no início do mandato da nova PGR também se revela interessante, porque o ex-procurador, Pinto Monteiro, foi dizendo, ao longo do exercício do cargo, que lhe faltavam armas para lutar contra este crime...Será que afinal as armas existiam e o que faltava era destreza para as usar? 
Aguardo com expectativa os resultados desta auditoria na esperança de que se forem apurados, com objetividade, factos ilícitos, estes possam ser julgados, para que se acabe de vez com a a ideia de que em Portugal a culpa morre sempre solteira. O que não aconteceu aqui no chamado "caso Rui Pedro"... E ainda bem.

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Roteiros do (meu) Natal


São Paio de Oleiros – Santa Maria da Feira

“Presépio do Cavalinho” -  O maior presépio do mundo em movimento!

Quadro do presépio

Uma "construção" magnifica que merece ser visitada por quem gosta de apreciar (e fazer) presépios. Ou simplesmente por quem gosta da temática do Natal e da reprodução de cenas do quotidiano através de peças em movimento!


Cozedura do pão no forno a lenha...
O espigueiro...

A procissão...


Comboio e volta a Portugal em bicicleta














 E tantas outras coisas espetaculares... Para admirar até Março, por miúdos e graúdos!
Parabéns ao promotor e aos seus colaboradores. Aqui está um bom exemplo de como uma empresa pode prosseguir fins sociais, de uma forma inesperada e genuína.  
                        

Paços de Brandão – Santa Maria da Feira

Museu do Papel



Muito bem enquadrado em termos paisagísticos - instalado numa antiga fábrica situada na margem de um rio - possuiu material em ótimo  estado conservação, perfeitamente adequado para divulgar a atividade de produção de papel que se desenvolveu naquele local, recorrendo a técnicas industriais que aos olhos do visitante, dada a evolução tecnológica, hoje parecem quase artesanais. 
Muito adequado para fins pedagógicos. Aconselho uma visita. 


Covilhã

Serra da Estrela - Torre

Será neve?













Parece mas não é...













Apesar da falta de neve a experiência foi espetacular! A imagem daquele mar branco que nos rodeava por todos os lados, fica na memória. Imperdível...

Óbidos

A Vila Natal

Óbidos uma vila extraordinariamente bonita...


A Vila Natal... Engraçada, mas com poucos motivos Natalícios, para o meu gosto... Confesso que esperava algo mais!



















Anda assim, agradável!

E por fim no Peso da Régua

Sem contar...


Ele mesmo: o Pai Natal! O maior que vi até hoje. Disseram-nos depois, tratar-se do maior da Europa...