terça-feira, 29 de junho de 2010

"Portugal - Espanha" - O melhor e o pior jogador da equipa portuguesa.

O pior: Cristiano Ronaldo

Cristiano Ronaldo com a braçadeira de capitão na mão

Pelo que não jogou e sobretudo pela sua postura, escolhi para pior jogador, Cristiano Ronaldo.
Não é nos grandes desafios que sobressaem os grandes jogadores?
E a ser assim, não era este um jogo à medida do craque português?
Penso que sim.
Mas, incompreensivelmente, o que viu foi um Cristiano Ronaldo completamente apático, sem garra, pouco solidário e por vezes alheio do jogo. Pura e simplesmente uma desilusão, um fiasco!
No meu entender, esta postura do jogador prejudicou, em muito, o desempenho da equipa, e este comportamento é ainda mais censurável pelo facto de se tratar do capitão de equipa.
Devo dizer que, na minha opinião, este comportamento pouco condicente com um jogador que é capitão de equipa, sobretudo de uma Selecção Nacional, começou ainda antes do jogo se iniciar, quando foram entoados os hinos nacionais dos dois países. Com efeito pude verificar pelas imagens e pelo áudio que nos chegavam da África do Sul, que CR foi o único jogador da selecção nacional que não cantou o hino. Até Pepe, que é Luso-Brasileiro, fez questão de cantar o hino nacional.
Foi um mau pronuncio para o que veio a seguir..

O melhor: Eduardo
Eduardo guarda-redes da Selecção Nacional

Eduardo, com duas mãos cheias de grandes defesas, foi, na minha opinião, o melhor jogador português em campo (e até talvez o melhor jogador das duas equipas). O guarda-redes do Sporting de Braga, esteve pura e simplesmente espectacular. Defendeu tudo o que havia para defender, e não foi pouco! E mesmo o golo de David Villa, só foi conseguido à segunda tentativa, depois de uma primeira defesa do guardião português. Fosse Simão Sabrosa mais agressivo na cobertura ao dianteiro espanhol e talvez a esta hora a redes portuguesas ainda se mantivessem invioladas.


Parabéns Eduardo.

Espanha 1 - Queirós 0

Eduardo, o melhor jogador português em campo, prostrado no relvado no final do jogo.
Portugal foi há poucos minutos eliminado pela Espanha no Campeonato do Mundo de Futebol que se realiza na África do Sul.
Na minha opinião o primeiro responsável pela derrota de Portugal foi Carlos Queirós o técnico da Selecção Nacional.
O Seleccionador, a meu ver, voltou a ser pouco ambicioso e cometeu, outra vez, uma série de erros.

Desde logo, e para começar, na constituição da equipa.

Porque fez alinhar de inicio Pepe, um jogador a recuperar ritmo competitivo?
Porque não pôs a jogar Deco, um homem criativo e com boa capacidade de recuperação de bola?
Porque insistiu em jogar com um falso lateral direito, quando tinha dois laterais direitos de raiz na equipa?

Depois na forma como dispôs a equipa em campo.

Se a opção em estruturar a equipa a partir de uma defesa forte, se pode admitir, o mesmo já não se pode dizer, quando se obriga uma equipa com jogadores criativos a jogar em linhas muito recuadas para reduzir os espaços de criação á equipa adversária. Os médios e os extremos podem ter um papel muito importante na forma como a equipa defende, todos o sabemos, mas fazê-los recuar demasiado no terreno de jogo é fatal, porque retira capacidade à equipa para construir jogo e atacar o adversário. Este foi seguramente um dos equívocos de Queirós nesta noite - fazer jogar a equipa em linhas muito recuadas.

E depois, para continuar, o falhanço nas substituições.

Fazer substituições acertadas ao longo do jogo pode alterar o rumo deste e ser decisivo para que uma equipa chegue à vitória. Os grandes treinadores distinguem-se não só por serem bons teorizadores do treino, mas também pela sua capacidade para serem bons estrategas. Muita desta capacidade atesta-se no momento em que fazem as substituições. Mas no que toca a substituições, com Queirós a regra parece ser esta: se um jogador está a jogar bem arrisca-se a ser substituído! Hoje a fava saiu a Hugo Almeida. Este jogador estava a ser a nossa referência na frente de ataque e estava numa fase de nítida subida de rendimento. Resultado: com a sua saída a equipa desorientou-se por completo e perdeu a capacidade ofensiva. O guarda-redes espanhol viu-se transformado num mero espectador, tão raras vezes foi chamado a intervir.

E por fim, a falta de coragem.

Falta de coragem para definir como objectivo principal no jogo a vitória sobre a Espanha.
E falta de coragem para substituir Cristiano Ronaldo, que pela sua apatia e desinteresse pelo jogo, foi, na minha opinião, o pior jogador de Portugal.

É por tudo isto que digo que o resultado do jogo foi: Espanha 1 – Queirós 0.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Associação Cultural e Recreativa de Tabuado faz 30 anos.


Hoje dia 21 de Junho de 2010 a Associação Cultural e Recreativa de Tabuado completa 30 anos de existência.
Quero assinalar aqui este facto e testemunhar publicamente o meu apreço pelo trabalho que esta Associação tem desenvolvido ao longo da sua existência em prol da valorização sociocultural da população de Tabuado e na recolha e preservação dos elementos culturais mais característicos da freguesia.
Cumprimento todos os sócios, particularmente os fundadores e o actual Presidente, Sr. Rui Mendes, e na pessoa destes, endereço a todos os meus parabéns.
Continuem por muitos mais trinta anos!

domingo, 20 de junho de 2010

Visita à Feira do Livro do Porto

Ontem á tarde, debaixo de um sol intenso, foi visitar a 80ª Edição da Feira do Livro do Porto.
O espaço da feira, na Avenida dos Aliados, estava agradável.
Fiquei surpreendido com a quantidade de pessoas que vi por lá. Àquela hora e apesar do sol, andariam por ali à volta de uns trezentos a quatrocentos visitantes, o que acho que é digno de registo.
Pude cruzar-me com algumas personalidades bem conhecidas do mundo das letras e das editoras que por ali estavam, a autografar e a promover as suas obras.
Enfim, passei lá cerca de três horas, percorrendo os diversos stands e esfolheando livros. É algo que me absorve, se pudesse ficaria lá o dobro do tempo e por certo não sentiria a sua passagem.
Ainda bem que fui acompanhado, porque a partir de certa altura, foi "a minha parceira" de visita quem me começou a apontar o relógio, lembrando outros compromissos.
Fiquei com muito boa impressão do certame e quanto aos livros vi por lá obras bem interessantes!

Tabuado e Jose Saramago

São atribuidas a José Saramago as seguintes palavras a propósito da Igreja Românica de Tabuado:

"Dentro e fora, a Igreja justificaria um dia inteiro de apreciação e o viajante sente grande ciúme de quem esse tempo já aqui gastou ou possa vir a gastar ".





Deixo aqui  o endereço do blog de José Saramago, para que, quem quiser, o possa visitar:

A minha leitura de Saramago

Eu fui um daqueles, certamente muitos, que foram absolutamente surpreendidos quando leram pela primeira vez Saramago.
O seu estilo de escrita, com frases muito longas e o uso da pontuação em moldes nada convencionais, baralharam-me completamente.
Lembro-me bem, nas primeiras 30 páginas, tive vontade de desistir.
Afligia-me o facto de o escritor usar vírgulas onde seria suposto usarem-se pontos finais, e de não separar, com travessões, as falas das personagens,...
Mas depois, consegui habituar-me ao ritmo da narrativa e tudo se simplificou; a leitura tornou-se fácil e estranhamente fluida!
É este estilo de escrita, que creio ser único na literatura contemporânea, aliado a uma capacidade criadora absolutamente sublime, que fizeram de Saramago um escritor absolutamente singular e merecedor da minha admiração.
No que toca ao homem Saramago, admiro particularmente a sua postura na defesa da dignidade humana, na luta por uma sociedade mais justa e mais recentemente, na defesa do meio ambiente.
Noto porém uma dissonância entre o autor Saramago e homem Saramago.
Passo a explicar.
Para mim, Saramago enquanto autor, deixou em muitos momentos transparecer na sua narrativa marcas indeléveis de uma dimensão mística, que o homem Saramago acossado pela sua ideologia, sempre tentou ocultar e mesmo combater, nem sempre da forma mais apropriada, na minha opinião.
Custou-me ver este homem, cuja obra lhe deu a passagem à galaria dos imortais, envolver-se em polémicas com Instituições que são tão merecedoras de respeito como o era o seu génio criador. E mais, que essas polémicas, quer pela sua natureza, quer pelo momento em que deflagraram, pudessem ser conotadas com técnicas de marketing para promover a venda dos seus livros.
Ainda assim, penso que as polémicas e as questiúnculas ideologias, que alguns fazem sempre questão de realçar sempre que se fala de Saramago, são minúsculas quando comparadas com dimensão da sua obra. Portanto, o acessório, não pode impedir-me de dizer que Portugal ficou mais pobre, porque viu partir um dos seus filhos mais ilustres. Fica-nos o seu legado.