quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Portugal: que futuro?

Quem hoje aqui escreve é um homem triste e profundamente angustiado com o futuro do seu país.
Soube-se hoje, ao final do dia, que os responsáveis da Troika estão satisfeitos com o trabalho realizado, até agora, pelo Governo português. Face a esta avaliação positiva as instituições que representam – o FMI, o BCE e a Comissão Europeia – irão desbloquear mais uma tranche de 8 mil milhões de euros do pacote de ajuda ao nosso país.
Mas soube-se mais. Soube-se que estes responsáveis preconizam um empobrecimento generalizado do nosso do país, porque defendem que para melhorar a competitividade dos custos da mão-de-obra, “os salários do sector privado deverão seguir o exemplo do sector público e aplicar reduções sustentadas".
Lê-se no relatório que elaboraram, e que foi tornado público, que "Portugal tem um grande problema de competitividade e que há duas maneiras de melhorar: pagar menos à mão de obra e aumentar a produtividade".
Ora, se ainda percebo alguma coisa de economia e desta língua em que vos escrevo, que é de Camões e também minha, estas palavras significarão que dado que Portugal não pode recorrer à desvalorização da moeda para tornar a sua produção mais competitiva, só pode alcançar essa competitividade por via da redução dos custos de produção, mormente da mão-de-obra. Na prática, isto significa que para que o nosso país ganhe a competitividade que lhe falta, todos teremos que trabalhar mais, quiçá bastante mais, e com salários mais baixos. Ou seja, à partida, todos temos que empobrecer.
Tristes e angustiantes perspectivas para todos nós. Regressão e nivelamento por baixo? Ganhar competitividade à custa de baixos salários e não através do enfoque em sectores estratégicos e na evolução tecnológica? Precariedade dos vínculos laborais em vez de politicas que promovam a valorização e a estabilidade dos trabalhadores, de forma a criar condições para que se promova a tão necessária expansão demográfica e reposição de gerações?
Enfim, tudo ao contrário do que se ensina nos bancos da escola. Andar para trás! Andar para trás... mas até onde?

2 comentários:

  1. FRANCISCO SÁ CARNEIRO

    Este Homem fundou um partido.
    Este Homem sério ajudou Portugal e serviu Portugal.
    Deve estar cheio de vergonha do partido que ele fundou.
    O partido que ele fundou, hoje é indigno do seu fundador.
    É um grupo de inqualificáveis politiqueiros e alucinados neo liberais que enterraram a social-democracia tão cara ao fundador.
    O actual partido nos seus prosélitos nem os sapatos do fundador são dignos de tocar.

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  2. Meu caro Carlos Santos,
    Obrigado pela tua opinião.
    O conteúdo deste teu texto levou-me a que o editasse e o elevasse à categoria de “post” para que aí, de forma mais detalhada, pudesse tecer algumas considerações a propósito do mesmo.
    Por isso sugiro que dês uma olhadela na página inicial.
    Cumprimentos e volta sempre.

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